segunda-feira, 30 de maio de 2011

As diversas faces de Leidson Ferraz

Por Manoela Siqueira


Ele é ator, jornalista, pesquisador teatral e escritor. Aos 9 anos, em Petrolina, descobriu a paixão pelo teatro depois de ter ido,com os pais, assistir ao espetáculo da Paixão de Cristo, em Nova Jerusalém. Desde 1993 que é profissional de teatro e este ano comemora 18 anos de carreira." Sou um ator essencialmente de teatro e sou muito feliz por isso", declara Leidson.

Com Samuel Santos, na peça O Amor do Galo Pela Galinha D’Água, ganhou o prêmio de melhor ator coadjuvante do Janeiro de Grandes Espetáculos, em 2007; e com o diretor José Manoel, com o qual fez as montagens Cantigas ao Pequeno Príncipe e Badulaques & Salamaleques, ganhou novamente o prêmio de melhor ator coadjuvante na peça Trupizupe, o Raio da Silibrina, no Janeiro de Grandes Espetáculos, em 2009. Entre os seus melhores trabalhos, Leidson destaca a montagem do Auto da Compadecida, com produção de Socorro Rapôso e direção de Marco Camarotti, que ele já atua há 16 anos. "O Auto é uma autêntica festa popular teatral no palco", diz.

Em 2004, Leidson Ferraz se juntou ao jornalista Rodrigo Dourado e ao professor de teatro Wellington Júnior para fazer uma árdua pesquisa sobre a cena teatral pernambucana que resultou em quatro edições literárias. A coletânea de livros intitulada Memórias da Cena Pernambucana Vol. 1,2,3 e 4, teve incentivo do Funcultura Pernambuco, do Governo de Pernambuco.A cada edição, dez grupos teatrais do estado de Pernambuco são vastamente vislumbrados de modo que esclareça toda vivência das artes cênicas, retratadas em cada época.

Abaixo, Leidson Ferraz responde às perguntas do Teatro PE:

Como surgiu a ideia de fazer uma coletânea de livros sobre o teatro pernambucano?

No final de 1997 fui convidado a fazer a assessoria de comunicação para o projeto Memórias da Cena Pernambucana, da Federação de Teatro de Pernambuco (Feteape), através de José Manoel. A iniciativa promoveu 40 encontros com representantes de grupos e companhias teatrais do Estado e eu entrevistava as pessoas antes, para preparar matérias à imprensa. Minha paixão pela nossa história teatral começou aí. Na realidade, já tínhamos os planos de lançar livros, mas faltava grana. Tentamos muitos patrocínios, até acontecer através do Funcultura, do Governo do Estado de Pernambuco.

Quanto tempo durou entre o projeto idealizado e o projeto concretizado? como foi esse percurso?
A ideia nasceu em 1997 e somente em 2004 o projeto do volume 01 (são quatro, ao total) foi aprovado pelo Funcultura, numa proposta minha, do jornalista Rodrigo Dourado e do professor de teatro Wellington Júnior. No anos seguintes, fui aprovando os três volumes restantes (com toda a burocracia exigida!), mas meus parceiros saíram do projeto. Para concretizá-lo, as dificuldades foram muitas, porque vários grupos já estavam extintos e tive dificuldade de encontrar acervos organizados, um problema até hoje, e até de confirmar informações na imprensa ou com artistas que desapareceram da cena teatral.

Como você vê o teatro pernambucano hoje?

Sinto uma retomada do espírito de grupo em algumas equipes, fundamental para se pensar numa estética própria e de continuidade. Como qualquer teatro do mundo, passamos por momentos de crise (palavra bem própria para nossa arte) e de maior produção. Vejo claramente que fazemos um bom teatro, com muita gente pesquisando, batalhando. O que nos falta não é criatividade e, sim, um público mais crescente, por ausência de mídia e de maiores investimentos, seja da iniciativa privada ou dos poderes públicos. Mas a gente segue sempre em frente. Evoé!

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